Companhias vão além da proteção contra a gripe e decidem também vacinar empregados contra a pneumonia

Funcionário doente é funcionário que não produz e ainda gera despesas. Com este realístico pensamento e verificando o aumento crescente da expectativa de vida no Brasil, cresceu também o número de trabalhadores maduros que permanecem no mercado de trabalho. De 2003 a 2013, por exemplo, a participação de trabalhadores com 50 anos ou mais na população ativa saltou de 16,7% para 22,5%, segundo o relatório Retrospectiva da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, considerando as necessidades dessa faixa etária, muitas empresas têm aderido a campanhas de vacinação que vão além da proteção contra a gripe. Esse é o caso da pneumonia, importante causa de internação e morte entre os mais velhos.

Nos adultos, os maiores de 50 anos formam o público mais vulnerável à pneumonia, em função do enfraquecimento do sistema imunológico provocado pelo envelhecimento. “Vacinar-se contra essa doença é essencial para preservar a saúde dos funcionários nessa faixa etária porque muitos deles apresentam comorbidades, como diabete e hipertensão, que podem ser agravadas pela pneumonia”, afirma a médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim).

O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é a causa bacteriana mais frequente da pneumonia. Entre as opções de vacinas disponíveis para a prevenção desse tipo de pneumonia e das demais doenças pneumocócicas está a Prevenar 13, da Pfizer, que é indicada tanto para pessoas a partir dos 50 anos como para crianças e adolescentes de dois meses a 17 anos de idade. Há seis anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) decidiu incluir em seu Programa de Saúde do Trabalhador todas as vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). A receptividade foi tão boa, que a medida foi mencionada por boa parte dos funcionários em uma pesquisa interna sobre os valores da empresa.

“Temos de ir além do que determina a lei, porque o funcionário sente que é valorizado quando percebe que a empresa se preocupa com a sua saúde”, argumenta a médica Ana Paula Pimentel Mendonça, chefe do Departamento Médico da Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (Fapes). O banco oferece a Prevenar 13 para todos os funcionários com doenças crônicas e para os colaboradores saudáveis a partir dos 50 anos. “É mais barato investir em prevenção do que arcar com os custos do afastamento de um funcionário por pneumonia e gastos indiretos, como a queda da produtividade e os custos com substituições”, diz Ana Paula.

Menos internações 

Não são apenas as empresas que estão ampliando a gama de vacinas oferecidas para seus funcionários. Desde 2013, a Mútua, plano de saúde que reúne 800 magistrados do Rio de Janeiro, incorporou a vacina contra a pneumonia em seu programa de imunização. “Ao ampliar as medidas preventivas, evitamos o agravamento das doenças e reduzimos as internações e os gastos hospitalares”, declara o desembargador Antônio Saldanha Palheiro, presidente da Mútua.

Pela lei, um magistrado pode trabalhar até os 70 anos. A partir daí, ele se aposenta, mas permanece no plano de saúde. Assim, por causa desse perfil etário, os associados da Mútua são muito vulneráveis à pneumonia. “Com a vacinação, reduzimos as hospitalizações e mortes”, afirma o desembargador. Hoje, a Mútua aplica mil vacinas por ano a seus associados e dependentes.

Foto: medicaldaily.com

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