Glossofobia, o medo de falar em público, é a segunda colocada numa pesquisa espontânea feita para saber qual fobia as pessoas mais sofrem, em 2002 na Holanda. Perde apenas para a aracnofobia (de aranhas), e supera a aviatofobia (de voar) ou mesmo a tanatofobia (de morrer).

Quem já não teve problemas de falar com uma platéia que atire a primeira pedra. Todos nós já tivemos, ou ainda temos sentimentos estranhos ao falar com uma platéia de desconhecidos.

Estes medos são em forma de taquicardia, suores, ânsias, gagueiras, e não de todo o esquecimento do assunto a ser transmitido, o vulgo "deu branco", num apagão mental.

Quem tem bom domínio desta arte é capaz de persuadir multidões, vender projetos, ilusões, negociar de forma mais vantajosa, e principalmente de liderar.

A história recente mostrou um povo culto, o alemão, ser dominado por Hitler. Um homem franzino, sem atrativos físicos, mas que sabia hipnotizar massas inteiras com suas idéias nazistas.

O falecido governador Arraes, um líder que tinha medo de palanques. Fazia sua política no "chão de rua", cercado com seus eleitores nas feiras e praças, mas sempre que podia evitava ao máximo palanque e a mídia. Sofria de glossofobia.

Ambos eram lideres, mas de sua forma bem distinta.

Nas empresas isto também ocorre.

Há os líderes natos que atraem os colegas, e outros líderes que são promovidos por seus conhecimentos, antigüidade ou competências.

E, muitos quando chegam a ser promovidos relutam em aceitar o cargo, entre outras razões devido à glossofobia. Ter que falar diante de um grupo de colegas, equipe, sala de alunos, de estranhos (imagine) ou uma platéia é razão de pânico e pavor.

Bons profissionais que são promovidos ao segmento de vendas, sofrem de calafrios quando imaginam expor algo a estranhos e receber perguntas. A consultora de tecnologia Wilma Bolsoni, afirmou em entrevista para veja nº. 1688, quando foi apresentar um projeto pela primeira vez diante de um auditório cheio, "Foi segurar o microfone para o drama começar. Não conseguia mais respirar direito. As palavras não saiam da minha boca. Entrei em colapso total. Minhas pernas tremiam tanto que todos me olhavam com pena. Transtornada, olhei para o meu chefe, pedi desculpas e disse que não poderia continuar. Virei as costas e fui embora".

O que ocorreu com Wilma pode ocorrer com qualquer um de nós.

Existem vendedores que fazem um excelente trabalho individual, ou mesmo virtual, mas quando ele estiver diante de três pessoas, já não consegue os mesmos resultados, aliás, nenhum resultado. Caso típico operadores de telemarketing: Por telefone tem ótima capacidade de vendas e persuasão. Mas no corpo a corpo são sofríveis.

Segundo Markway, B. G. et al, em seu livro "Morrendo de Vergonha" summus editorial, 1999, p. 29 "A característica essencial da fobia social é um medo persistente de uma ou mais situações em que você ou seu comportamento podem ser avaliados pelos outros; ela é, em essência, um medo de desaprovação". A glossofobia é uma das muitas fobias sociais.

Que se pode fazer contra a glossofobia? Participar de cursos de oratória, grupos de biodanza, ou participar de oficinas de teatro amador são soluções terapêuticas. Outra solução é terapia high-tech; é o uso de realidade virtual, com telas de 180º que simulam a situação de estar diante de uma platéia.

E em sua empresa, quantos bons profissionais sofrem de glossofobia? Você já vivenciou alguma dela? Que oferece para eles?

Igor Rafailov - Design Thinker, consultor em Recursos Humanos e Gerenciamento de Crises e Emergencias, Piloto Planador, Palestrante e "colecionador" de fobias, e prestes a lançar a 2a edição do Dicionário de Fobias. @dicionariodefobias

Nota do Diário Business: Você também pode colaborar com o Igor, preenchendo a "Pesquisa de fobias em 2 minutos", clicando aqui

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