Quando a saúde não vai bem, nosso organismo emite sinais de alerta. Com as empresas é a mesma coisa. Se a saúde financeira do negócio vai mal, logo dói no bolso do empreendedor. Nessa situação, o melhor é começar o tratamento o quanto antes.

Falta de organização, fluxo de caixa sempre no vermelho e não cumprimento de prazos com clientes são sintomas de dar náuseas em qualquer administrador.

Descompasso entre as necessidades pessoais do empreendedor e a capacidade de o negócio gerar recursos é outro indício. O dono da empresa precisa de mais verba do que o empreendimento pode produzir. As contas não fecham e recorre-se a um empréstimo. Depois um segundo para quitar o anterior e assim vai. O prontuário médico do negócio doente informa que a falta de recursos para honrar compromissos impede a conquista de novos mercados.

A situação fica mais crítica quando os bancos passam a negar financiamentos. A empresa anêmica perdeu espaço para concorrência e, como bactérias resistentes ao antibiótico, as dívidas são tão altas que o patrimônio já não as cobre.

É preciso agir. Negociar com fornecedores, rever o mix de produtos e estoques, sincronizar prazos de pagamento e recebimento e implantar controles que permitam analisar a situação financeira periodicamente são ações de salvamento.

Deve-se fazer um raio X da empresa e da vida pessoal do proprietário para avaliar onde estão gastos passíveis de corte. Analisar mercado, aceitação do produto ou serviço, hábitos de consumo e adaptação do ponto comercial são fundamentais. Vale até pensar na venda do negócio total ou parcial, abrindo a possibilidade para a entrada de sócios.

No entanto, se o raio X indicar um quadro irreversível, sem crédito e mercado em queda, só resta desligar os aparelhos. É hora de encerrar a empresa, negociar com credores formas de pagamento ou repassar o controle para um deles que tenha interesse. Importante nesse momento, em que a pessoa jurídica está comprometida, é proteger a pessoa física, tirando, dentro dos limites legais, as pendências financeiras do nome do responsável.

Mas a prevenção é sempre o melhor remédio. E se faz com a vacina chamada boa gestão.

Bruno Caetano - É diretor superintendente do Sebrae-SP

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