Reflexão do processo decisório de executivos sob pressão e preocupados em manutenção da boa reputação pessoal na corporação. Nick Lesson foi um operador "de primeira linha" do banco britânico Bahrings, que para apresentar bons resultados apostou dinheiro de clientes em cassinos.

O que é que vão pensar de mim?

Judicofobia - fobia ao julgamento dos outros sobre si. (Dicionário de Fobias)

Definindo a partir do Dicionário de Fobias:

Judicofobia

1 - medo do julgamento dos outros sobre si.

2 - medo da perda da reputação,

(segundo o "Dicionário de Fobias" Rafailov), e faz com que cada um de nós tome atitudes inusitadas para manter uma aparência e reputação.

"O que leva ao que fiz é aquele medo de perder a boa reputação, com os que estavam à minha volta" foi explicação dada por Nick Lesson, ex operador de valores que faliu o Banco Barings, em investimentos arriscadíssimos e jogos de cassino com 800 milhões de libras esterlinas com dinheiro de correntistas. Até então Lesson era tido como ótimo conselheiro para apostas em bolsa de valores. Só para recordação, o Barings, era um tradicional banco inglês e gozava a confiança da nobreza britânica. A experiência demonstrada pelo psicólogo social Solomon Asch é muito clara sobre o poder da sugestão diante do grupo. O “efeito Asch” comprova o medo da rejeição pela pressão do grupo, inseguranças individuais e do receio de talvez estiver errado.

Se dos profissionais é exigido o sucesso absoluto, ele fará o possível, e o impossível (é mesmo, o impossível) para que sua reputação não seja ferida. E ela é diretamente proporcional ao status dele numa hierarquia profissional, social, tribal, grupal.... que este ocupa. O já detido Lesson explicou "Eu não queria me expor a ninguém e isso, esse medo, estava acima de tudo".

Todos nós precisamos sentir fazer parte de grupos, seja amigos, empresa, (os japoneses são especialistas em transformarem a empresa em religião), nação, time de futebol, igreja, partido, seita, turminha da praia, ... para formar o que o Prof. Janis batizou de pensamento grupal.

Todos nós combinamos nossas paixões para sentirmos diferentes com a de nos identificarmos com um grupo ou uma tribo. E mesmo pessoas de muita inteligência, e ante de dados claros que comprovam a direção de atitudes e decisões a serem tomadas seja uma, tomam em nome deste pensamento grupal a decisão para o lado errado.

Quando deste medo está na sua empresa? Tem em todos nós! Segundo a autora espanhola Pilar Jericó, existem cinco medos claros na empresa, e é o segundo tipo de medo; "Tenho necessidade de que gostem de mim", as pessoas são escravas do medo da rejeição. No mundo latino a cultura orienta em buscar a harmonia entre as pessoas. Isto já é bem diferente nas culturas japonesa e estadunidense onde participar de atividades numa rua ou de um karaokê desafinado sem uma gota de bebida, e não estarem constrangidos por isto.

Segundo estudo feito por McCelland isto tem a ser com a religião predominante. No catolicismo dá muita importância ao espírito associativo. Já bem oposto à máxima católica, no calvinismo prega; "O teu sucesso nesta terra é o sinal do que conseguirás na outra vida". O que reforça as idéias dos filósofos Max e Fromm que no calvinismo e luteranismo onde a máxima é a dignidade pelo trabalho e a sua eficácia. E no mundo corporativo o que é cobrado, é através da máxima protestante.

E em sua empresa, quantos “Lessons” existem? Ou mesmo você já passou por situações idênticas? Em São Paulo uma luxuosíssima loja de importados instalada num “palácio-shopping” com heliporto só funcionava com a clara sonegação aduaneira, e a proprietária “não enxergava assim”. Para manter a sua reputação elevada, mente ou pior impõem se a auto-mentira ou obrigação autoimposta. Lesson foi depois lúcido ao afirmar "Neste ponto, uma avalanche de emoções atravessa o seu corpo. A motivação central foi não ser desmoralizado perante meus conhecidos"

Outro exemplo conhecido no Brasil, um superpoderoso jornalista executivo de São Paulo, ter assassinado a sua ex namorada, e colega subordinada de empresa, por ela o rejeitar amorosamente.

Ato falho? Erro? Lapso de memória? Sob a ação da dopamina? Overdoses desta dopamina que nos faz estar em fase de paixão cega. Todos nós humanos vivenciamos estes momentos onde a estupidez vence a lucidez.

Será que você duvida ainda que “Lessons”, e similares não existam em sua empresa? Ou mesmo em você? Você ignora a existência do inconsciente seu e de seus colegas? Que ações são feitas em sua empresa para ele ser identificado e controlado antes?

Afinal 85% de nossas decisões são tomadas por razões emocionais e pouco as racionais. O filósofo alemão Kant é claro: "A Felicidade (e as decisões) não é um ideal da razão, mas da imaginação".

Ninguém esta isento da judicofobia. Nem você! Parece até rima de carnaval, mas: "Que você vê que foi Lesson, sirva para todas nós como lição".

E você, que pensa sobre você? E dos medos de seus colaboradores estratégicos?

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