O governo de São Paulo anunciou que pretende construir um bairro tecnológico na região do Jaguaré, zona oeste da capital paulista. Apesar de surgir com certo atraso, a notícia deve ser, sim, comemorada. Um empreendimento do tipo significa ampliar o desenvolvimento econômico, tecnológico, científico e cultural de toda uma região, e os benefícios são inúmeros, já observados em diversas partes do mundo, Brasil incluso, que já investiram nesse modelo.

A notícia chega em momento oportuno para as empresas de todo o país que pretendem investir em inovação tecnológica. O governo federal tem implementado relevantes incentivos tributários e financeiros aos dispêndios associados com pesquisa e desenvolvimento. Com esse novo sitio de pesquisas, mais conhecimento será disponibilizado ao mercado de maneira a otimizar os benefícios fiscais admitidos pela legislação vigente.

O Brasil tem sido aclamado como um País com grande potencial de crescimento, de economia forte sustentada, o que está atraindo algumas das maiores companhias do mundo para nosso território por meio de seus planos de expansão. Mas, para crescer de fato, é necessário estimular a pesquisa, produzir inovação e desenvolver tecnologias nacionais.

A China, que prevê que seu Produto Interno Bruto (PIB) atinja US$ 16 trilhões até 2020, com um PIB per capita superior a US$ 10 mil, deu espaço de destaque para o tema “inovação,” em seu 12º Plano Quinquenal Chinês. A preocupação em instalar parques tecnológicos no país asiático começou há quase cinco anos e, segundo dados oficiais de 2010, já foram construídos cerca de 180: 56 foram criados nacionalmente; 63, nas províncias; e 68, por universidades chinesas.

É importante notar a relação positiva que existe entre centros de desenvolvimento tecnológico e a vida acadêmica. Esses centros possibilitam que os valores intelectuais do País conquistem espaços para desenvolver seu trabalho sem ter de sair para o exterior. A construção de um bairro tecnológico logo ao largo de universidades aproxima a vida acadêmica do trabalho especializado, e permite que um importante fator determinante do desenvolvimento e da aplicação do conhecimento e inovação tenha lugar, a partir da integração entre a academia e o mundo empresarial.

Encontramos aí mais um ponto positivo no projeto paulista: a proximidade do novo bairro da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), a mais produtiva instituição de ensino superior do hemisfério sul. Ao longo dos anos a USP vem sendo reconhecida por sua capacidade acadêmica. Em 2012, a instituição foi classificada na 11a posição mundial entre 3.290 instituições de ensino e pesquisa internacionais incluídas no relatório mundial da SCImago Institutions Rankings. Já de acordo com o University Ranking by Academic Performance (URAP), a USP continua sendo a melhor universidade ibero-americana e está colocada na vigésima oitava posição no mundo. Enquanto isso, a revista britânica Times Higher Education (THE), classificou a USP como uma das 70 universidades com melhor reputação no planeta.

Assim, uma universidade que figura em tão destacada posição entre as instituições de todo o mundo – assim como tantas outras importantes instituições de ensino superior da Região Metropolitana de São Paulo – precisa, de fato, que o governo, entidades e a iniciativa privada se mobilizem para oferecer instrumentos com os quais seus formandos e formados possam aplicar seus conhecimentos, especialmente quando o objetivo é transformar pesquisas em resultados práticos.

No Brasil, vemos inúmeros exemplos de sucesso em cidades como São José dos Campos, Campinas, São Carlos, Curitiba e Recife. A capital de Pernambuco, inclusive, com seu Porto Digital criado em 2000, é a cidade com o maior parque tecnológico do País. Como referência sobre a validade desse tipo de iniciativa, as empresas do Porto Digital faturaram em 2010 cerca de R$ 1 bilhão, 65% dos quais originados de contratos firmados fora do Estado de Pernambuco.

Esse dado nos mostra que há muito espaço para o desenvolvimento de novos parques tecnológicos no País. E São Paulo, que é reconhecidamente importante polo econômico, cultural e turístico, só tem a ganhar se também criar com sucesso um polo de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.

Sergio Schuindt - É Sócio de Consultoria Tributária e líder da área de Incentivos Fiscais em P&D da KPMG.

Também poderá gostar de...

0 Comentários