Em uma de suas últimas entrevistas, Oscar Niemeyer dizia que o mais importante era a vida e que o homem deveria aprender mais sobre a gentileza e a solidariedade. Aprender a ser gentil. Niemeyer adorava a vida e também as curvas, que eram, para ele, mais inspiradoras que as linhas retas. Assim como as mulheres.

Gentileza

Fiquei pensando o que isso tem a ver com carreira e liderança. Talvez nada. Entretanto, ao dar uma palestra na última sexta-feira, em Londrina, Paraná, um participante me perguntou sobre o que achava que as empresas deveriam fazer para reter talentos. Eu respondi que, por vezes, a pessoa querer sair da companhia é um sinal de sanidade. Afinal, quem em sã consciência gostaria de trabalhar para um gerente rude, coercivo e mal-humorado? O que se espera de um líder é que seja inspirador. Mas, se não puder, que ao menos seja gentil, que saiba comandar, dizer às pessoas o que é para elas fazerem, sem colocá-las em constrangimento.

Liderar exige um grande esforço e capacidade de lidar com a frustração que é buscar resultados por meio de outras pessoas. Não é tratando-as com grosseria que se alcançam resultados. Na verdade, na maioria dos casos, eles são alcançados apesar da insensibilidade de certos líderes.

Pense diferente para ter sucesso

Em outro evento, na quinta-feira passada, falava sobre marketing pessoal estratégico para um grupo de executivos considerados de alto potencial em uma empresa de telecomunicações. Assim como Niemeyer traçava as linhas curvas, enquanto outros arquitetos focalizavam as retas, o profissional deve sair da visão comum, se desejar ter sucesso em sua carreira. Se todos quiserem ser o rei da montanha, os caminhos para atingir seu topo ficarão congestionados. Por que não tentar o vale? Penso que o topo da carreira está na capacidade da pessoa de gerar renda passiva para si por meio de investimentos. E não querer ser o CEO.

Aliás, tenho visto pessoas muito despreparadas nessa jornada que, ao atingir o cume, se esfacelam, pois suas estruturas, também em outras esferas da vida, não estavam sólidas. Ao pensar em seu sucesso, o profissional deve, antes, pensar em seu propósito. É ele que dá forma ao primeiro. Aliás, sucesso, dinheiro e conhecimento sem refinamento não servem para muita coisa. Exceto para a pessoa perceber que, sozinhos, eles não produzem felicidade. É preciso mais que isso.

Um mundo para as mulheres

Por último, penso que o mundo deveria ser construído para as mulheres. Se de fato as amássemos mais que nossos desejos, faríamos as calçadas o mais planas e suaves possível, para que não danificassem seus sapatos, que elas compram com tanta adoração. Manteríamos as cidades mais limpas e belas. Em certos locais, atingidos pela seca, forneceríamos água e saneamento de qualidade, para que pudessem ter, mais que uma vida digna, saudável para si mesmas e suas famílias. Acharíamos um bandido antes que pudesse matar um pai, marido ou filho. E também faríamos menos guerras, para que eles não participassem delas. Afinal, são pessoas que elas tanto amam e sentem como ninguém suas ausências.

Também daríamos as mesmas condições que temos para que desenvolvessem suas carreiras, até mesmo no mundo executivo. Jogaríamos os jogos empresariais com maior respeito às regras, para que elas pudessem participar em condições de igualdade. Daríamos a elas o mesmo rendimento que o nosso, em todas as situações. Aprenderíamos a forma feminina de ver a vida, com mais beleza e solidariedade.

Pensando bem, as ideias de Oscar Niemeyer têm muito a ver com carreira e liderança. Felizmente ele viveu muito, para tornar concretos e curvos, é claro, seus pensamentos sobre beleza, gentileza e solidariedade. Que grande ser humano!

Sílvio Celestino - É autor do livro Conversa de Elevador – Uma Fórmula de Sucesso para sua Carreira. Também é sócio-fundador da Alliance Coaching. No Twitter: @silviocelestino.

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