Fora do mundo da tecnologia, a palavra middleware não tem tanta importância assim. Mas, há quatro décadas alguns visionários e estudiosos inventaram o termo que ainda hoje é tão usado e tão pouco conhecido no mercado de TI. A introdução se deu na área de sistemas distribuídos e, desde então, tudo o que fica entre o sistema operacional e a camada de aplicação é considerado middleware.

O que se vê hoje é um sem-número de empresas de grande e médio porte – algumas até bem conhecidas – usufruindo das facilidades e funcionalidades que o middleware pode proporcionar. Muitas, inclusive, investem no escuro, sem saber exatamente do que se trata.

Com o advento da web, cada vez mais a arquitetura ‘cliente-servidor’ foi ficando obsoleta, levando muitas empresas de software e programadores a deixar seus aplicativos mais globalizados e seus códigos mais leves. Com isso, muitos produtos foram migrando para a arquitetura ‘3-camadas’ (apresentação, aplicação e dados) e utilizando o middleware. Quem pode imaginar um site de comércio eletrônico com um código único, conectando em bancos de dados, gerenciando logins, validando cartões e outras tantas funcionalidades? Seria um caos completo!

O middleware centraliza funcionalidades do negócio e tira dos códigos dos aplicativos tarefas de acesso a componentes periféricos do ambiente, como banco de dados, e-mail etc. Não fosse pelo middleware, muitos serviços ficariam lentos, inseguros e impraticáveis, frustrando a maioria dos webshoppers – perfil que cresce pelo menos 30% por ano – e até mesmo os internautas que costumam votar em reality shows, gerando milhares de cliques por minuto.

Desde 1995 fabricantes de software promovem uma disputa agressiva para ver quem tem o middleware mais rápido, o que tem mais funcionalidades e o que domina a web. Gigantes da tecnologia investem milhões de dólares em estudos e aquisições de concorrentes para enriquecer suas marcas de software. Assim, o middleware já deixou faz tempo de ser um simples contêiner de aplicativos para se tornar o cérebro valioso das principais organizações do mundo, acessando e sendo acessado por todos dentro de cada empresa, independentemente de tamanho. Se ele para, o mundo para. Isso é fato.

Apenas para ilustrar, quando trabalhava com uma bandeira de cartões-alimentação, certa vez paramos o ambiente de TI para migrar um bloco grande de cartões. Sempre que isso era necessário, as transações entravam em um modo chamado stand-in, que limita o valor para uso dos cartões até a normalização. Por mais incrível que pareça, essa ação rotineira gerou forte impacto na minha própria família, já que meus pais foram impedidos de fazer uma compra de alto valor no supermercado naquele mesmo intervalo de tempo. Tudo por minha culpa! Esse episódio mostrou inclusive para mim como o mundo depende do uso do middleware e o quanto as empresas provedoras de serviços distribuídos devem ser cautelosas na hora de montar a infraestrutura de TI. Afinal, desde uma simples compra de supermercado até o abastecimento de energia de um bairro ou cidade dependem dessa camada tecnológica tão usada e tão pouco conhecida.

Márcio Novaes - É especialista em Middleware e gerente de Soluções de Infraestrutura da Unione Outsourcing – www.unione.com.br

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