Pesquisa inédita da Serasa Experian sobre a classe média brasileira mostra que ela é composta em sua maioria por jovens moradores de periferias (31%), pessoas que estão envelhecendo na periferia (18%) e aspirantes sociais (11%).

Atualmente, eles representam 60% dos 104 milhões de pessoas da classe média. O levantamento foi feito a partir, de uma metodologia estatística que cruza dados da Serasa Experian, do Censo Brasileiro e da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar), sendo a maior e mais completa base de informações socioeconômicas do Brasil. "O país tem vivenciado uma transformação econômica.

Com controle da inflação, investimentos sociais, moeda forte e a estruturação da economia, o Brasil passou a ter classes sociais que deixam de ser estatísticas e que têm necessidades distintas e específicas a serem atendidas”, afirma Ricardo Loureiro, presidente da Serasa Experian, que apresentou a pesquisa hoje no 1º Fórum Novo Brasil: Desvendando a Classe Média.

“Mais de 100 milhões de pessoas. Poucos países no mundo têm população maior que essa. A classe média, que mudou e definiu um novo Brasil, devido a sua representatividade, pode selar, sozinha, uma eleição. Na economia, transforma um pequeno investimento em um negócio gigante. Já que todos a querem, cabe a pergunta: quem é e o que quer essa nova classe média brasileira?”, questiona Ricardo Loureiro.

“A classe média representa uma enorme oportunidade para as empresas. Entretanto, em um mercado cada vez mais competitivo, é fundamental que as empresas estejam preparadas para a disputa. É preciso que estejam cada vez mais orientadas ao aprimoramento e rentabilização de sua estratégia de ida ao mercado, sob pena de verem seus investimentos fracassarem. Foco, segmentação de mercado e reconhecimento do seu público-alvo estão entre os aspectos centrais dessa abordagem”, afirmou.

O presidente da Serasa Experian destacou a importância de se conhecer bem todos os grupos da classe média. “Cada um dos grupos tem necessidades, interesses e perfis muito distintos. É importante ainda que as empresas busquem avaliar a capacidade de consumo das pessoas a quem irão direcionar suas ações de vendas.”

Periferia Jovem: 31% da Classe Média

Dos mais de 100 milhões da classe média, 31%, 32 milhões de pessoas, são do grupo Periferia Jovem. Nesta estratificação, 30%, ou 10 milhões de pessoas, estão no grupo chamado de Trabalhadores de Baixa Qualificação e com empregos formais; 29% (9 milhões) são Jovens Trabalhadores de Baixa Renda, com a maioria formada por mulheres; 20% (6 milhões) são Jovens na Informalidade, onde destacam-se mulheres chefes de família com menos de 25 anos. Por fim, 13% (4 milhões) são Famílias Assistidas da Periferia, residentes principalmente no Norte e Nordeste, sem relação com bancos e sem atividades de crédito ou financeiras.

Envelhecendo na periferia: 18% da Classe Média

O levantamento aponta ainda que, após os jovens de periferia, 18% da classe média brasileira, ou 19 milhões de pessoas, são da estratificação Envelhecendo na Periferia. São 9 milhões (45%) de operários aposentados e outros 6 milhões (30%) são classificados como Maturidade Difícil, sem renda nem aposentadoria formal, além de 4 milhões (25%) de casais maduros de baixa renda.

Aspirantes Sociais: 11% da Classe Média

Há ainda 11 milhões de pessoas classificadas como aspirantes sociais _4,5 milhões (40%) são consumidores indisciplinados, jovens adultos com alto consumo e renda modesta, e 3,3 milhões (30%) são profissionais em ascensão social, que buscam mobilidade e status social por meio do trabalho e do estudo.

O crédito e o comprometimento da renda disponível para o consumo 

O crédito tem sido um grande impulsionador do consumo e do crescimento do mercado interno. Estatísticas demonstram que 58% da classe média usam o cartão de crédito, 23% o crediário e 18% cheque, parcelando suas compras (em cartões de crédito, crediário) em 9 vezes. “O nível médio de comprometimento de renda mensal do brasileiro está ao redor de 22%, um valor dentro do razoável, que ainda apresenta oportunidade de expansão. Entretanto, é uma média de todo o mercado, e já é possível verificar a existência de milhões de famílias que atingiram, e até ultrapassaram, sua capacidade de consumo. Muitos estão superendividados e, conforme mostram os números, não obedecem necessariamente a nenhuma segmentação ou perfil muito específico, pois outros fatores comportamentais parece influir mais nesse tipo de comportamento”, apontou Ricardo Loureiro.

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