De 2007 até outubro de 2012 a volatilidade cambial no Brasil representou 225% da média de seus pares emergentes, ou seja, mais do que o dobro

As exportações brasileiras vêm caindo este ano frente a um cenário externo incerto. A China, principal parceiro comercial brasileiro, está desacelerando. Diante disso, o que o Brasil precisa fazer para garantir, em 2013, um fluxo de comércio exterior e crescimento econômico? As repostas para essas e outras dúvidas em relação à condução da política cambial serão apresentadas no Seminário Impactos do Câmbio sobre Comércio Internacional.

O Seminário que acontece amanhã (30), a partir das 8h30, na sede da Fiesp, é uma parceira com a ABCI e espera identificar soluções para elevar a posição comercial do Brasil no mundo.

A volatilidade do câmbio no Brasil tem se mostrado sistematicamente superior à média de emergentes que também adotam regime de câmbio flutuante, causando imprevisibilidade para os agentes econômicos. Em 2011 a volatilidade do câmbio no Brasil representou 187% da média dos seus pares e no acumulado de 2012, até 10 de outubro, foi de 122%.

Para a Fiesp, uma solução ante a esse ambiente externo incerto é uma atuação mais firme por parte do Banco Central na condução de uma política cambial ativa. “Só assim o Brasil conseguirá mitigar a volatilidade cambial e garantir previsibilidade para exportadores, importadores e investidores”, afirma Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp.

Outro tema que preocupa e que faz parte da agenda é a questão quanto à ausência de regras multilaterais sobre o câmbio e comércio que acarreta ações unilaterais de alguns países prejudicando a isonomia competitiva entre os Estados.

Os recorrentes afrouxamentos monetários utilizados no mundo desenvolvido, por exemplo, provocam efeitos colaterais afetando a taxa real de câmbio em outros países como o Brasil. Para Giannetti, a solução passa pela criação de mecanismos/regras multilaterais sobe câmbio e comércio que visem corrigir distorções nos fluxos comerciais provocadas pela manipulação cambial.

“Nesse sentido, o Brasil já apresentou três propostas à OMC sobre o tema. Isso é de fundamental importância para o setor industrial e precisa ser inserido na pauta da agenda multilateral do comércio. A Fiesp já enviou carta ao ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, apoiando a iniciativa brasileira, e sem dúvida insistimos na criação de mecanismos eficientes que corrijam os efeitos danosos do câmbio no comércio internacional.”

Programação

8h30 - Credenciamento

9h - Abertura

- Roberto Giannetti da Fonseca, Diretor Titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (DEREX) da FIESP

9h30 Painel I: Política cambial e fluxo de comércio no Brasil: perspectivas para 2013

- Pedro Rossi, Professor da UNICAMP e Pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON) da UNICAMP
- Luiz Gonzaga Belluzzo, Professor da UNICAMP
- Embaixador Rubens Barbosa, Presidente do Conselho Superior de Relações Internacionais e Comércio Exterior (COSCEX) da FIESP

10h40 Painel II: O câmbio e as regras internacionais de comércio

- Embaixador Roberto Azevedo, Embaixador do Brasil na OMC
- Marco César Saraiva Fonseca, Diretor Substituto do Departamento de Defesa Comercial (DECOM) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)
- Vera Thorstensen, Professora e pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da FGV
- Emerson Fernandes Marçal, Professor da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da FGV
- Aluisio de Lima-Campos, Presidente do Instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI)

12h30 Encerramento

Serviço: Seminário Impactos do Câmbio sobre Comércio Internacional
Local: Av. Paulista, 1313 – 4º andar
Data e Hora: 30/11 – 8h30


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