O parcelamento no cartão surgiu como forma de substituir o cheque pré-datado, que até pouco tempo atrás era a forma mais utilizada para financiar as compras no varejo e até mesmo as transações entre empresas. Mesmo com o risco de não haver fundos, quando da apresentação do cheque, as transações ganhavam pela rapidez, se comparadas ao crediário tradicional, praticidade pela pouca burocracia e pelo baixo custo da operação.

Apesar de cobrarem pelo fornecimento dos talões de cheques e pela antecipação dos valores e outra taxas, os bancos não estavam satisfeitos com o modelo, pois uma parcelanimportante dos financiamentos não fazia parte das suas operações de crédito, obrigando-os a disputar entre si e com as empresas de factoring, a preferência dos empresários, essa concorrência estimulava os a bancos praticarem menores juros.

As empresas também utilizavam os cheques pré-datados para saldarem seus compromissos com seus fornecedores, assim não se utilizavam do banco para obter crédito. Havia uma concordância geral para a aceitação dessa forma de pagamento. Com a estabilidade da moeda, cresceu a utilização do cartão, pois esse meio de pagamento é ágil e seguro. É bom para o consumidor, para o lojista e para o banco.

Os bancos são os maiores emissores e administradores de cartão e também são os maiores acionistas das empresas que colocam as “maquininhas” nas lojas, os adquirentes. São eles que definem as taxas e os juros cobrados dos consumidores e dos lojistas. O setor é dominado por poucos.

O parcelamento com juros foi a primeira forma de parcelamento oferecida ao consumidor, porém essa oferta não foi aceita, pois os juros praticados sempre foram muito altos e os lojistas continuaram aceitando os cheques como forma de financiarem suas vendas.

Surgiu então a modalidade de parcelamento sem juros, financiada pelo lojista e praticada apenas no Brasil. No início apenas o grande varejo dispunha dessa forma de financiamento, ao longo do tempo também disponibilizado para os demais varejistas. A nova forma de financiamento foi bem aceita pelos consumidores, são eles que ditam as regras no varejo.

O lojista é cobrado pelo aluguel das “maquininhas”, paga a taxa de desconto nas vendas à vista, recebe de acordo com o número de parcelas sem juros oferecidas ou, paga os juros determinados pelos bancos pela sua antecipação; os lojistas adaptaram-se, diminuindo suas margens, pois esse parcelamento deu rapidez ao financiamento, reduziu muito o seu custo próprio para financiar e eliminou a inadimplência. Com exceção do caso da fraude, principalmente no comércio eletrônico, a operação é bem segura.

O expressivo crescimento de portadores de cartões, fomentado pelo aumento de pessoas empregadas e o consequente crescimento da renda, proporcionou às instituições financeiras operações mais rentáveis. Maiores volumes aumentam a rentabilidade e mais portadores diluem o risco.

O fim do monopólio, isto é, o fim da exclusividade entre as bandeiras e a entrada de outros adquirentes, somados a constante diminuição da taxa Selic, portabilidade e a oferta de juros menores oferecidos pelos bancos públicos, tornou o mercado mais competitivo.

Obrigados a operarem com juros menores e negociar o valor das taxas cobradas dos consumidores e lojistas, agora se deparam com o aumento relativo da taxa de inadimplência, principalmente do financiamento de veículos, onde o próprio bem é a garantia e as taxas são bem menores do que as praticadas no varejo. Agora, os bancos acenam com o aumento de taxas e juros para o consumo de forma generalizada.

Vale lembrar que é o banco quem oferece o cartão e o crédito para o consumidor, o lojista utiliza esse crédito pré-aprovado. O varejo pagando por esse serviço, adaptou-se diminuindo suas margens, mas os bancos não aceitam diminuir seu lucro, sempre querem mais!

Não é possível para o varejo aceitar mais taxas ou maiores descontos, nossas margens já são estreitas, nosso segmento é altamente competitivo. Repassar para o consumidor significa aumentar os preços. Além do consumidor que no final é quem paga, as mais prejudicadas serão as micro e pequenas empresas, que são submetidas às maiores taxas e juros cobrados pelos bancos.

Uma das características do varejo é sua rápida adaptação ao mercado, poderá retomar às demais formas de concessão de crédito, como o carnê e o cheque pré-datado. Os meios para a análise de crédito evoluíram e estão disponíveis. Hoje o SPC possui soluções adequadas a qualquer necessidade do lojista, tanto para a análise de crédito, ou para a cobrança.

Não são os bancos, cartões de crédito ou os lojistas que definiram como o crédito será concedido, o consumidor sabe do poder que tem, não aceitará ser extorquido, é ele quem dará a última palavra.

Mauricio Stainoff - É presidente da FCLESP – Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo | www.fcdlesp.org.br

      

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