O ano de 2012 continua sendo um ano incomum, com muitos acontecimentos e notícias difíceis de serem previstas por qualquer analista do mercado. É realmente difícil projetar o que o restante do ano trará para a indústria.

As últimas medidas governamentais continuam a reduzir os preços para os consumidores e, por sua vez, aumentam as vendas de automóveis. A continuidade da redução do IPI, em linha com uma redução ainda mais forçada dos preços do varejo, certamente são boas notícias para todos os consumidores.

Muitas pessoas compraram um carro novo nos últimos meses, seja para substituir seus veículos mais antigos, ou para poder comprar um automóvel zero quilômetro por meio do crédito. Muitas outras procuram imitar seus vizinhos para se juntarem à orgulhosa multidão de proprietários. Mas será que agora é a hora certa de comprar?

Certamente, o 27º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, a maior exposição de automóveis da América do Sul, que acontece essa semana, traz algumas respostas. Todas as grandes marcas já estabelecidas no Brasil estão presentes, mostrando seus modelos mais recentes ou os que serão lançados. Além disso, muitos novatos estarão na exposição de automóveis, especialmente os chineses, mostrando como esperam conseguir sua parte no grande e crescente mercado brasileiro.

O Brasil é um mercado de carros populares e vai permanecer assim em virtude da estrutura de renda do país e do comportamento dos consumidores. Em vez de conceitos revolucionários, estamos vendo um avanço sólido dos modelos com design mais moderno, mais tecnologia e mais recursos – em suma, mais próximo dos modelos que as mesmas OEMs vendem no resto do mundo. Cada vez mais serão introduzidas plataformas globais, trazendo mais tecnologia para o consumidor e ao mesmo tempo redução de custos para as OEMs.

Além disso, vemos uma proliferação contínua de modelos. Mais e mais derivados do mesmo veículo são levados ao mercado como apelo a grupos diferentes de consumidores. Linhas diferentes (por exemplo, Esportivos, de Aventura, Off-road) e os chamados conceitos crossover farão com que a escolha dos consumidores seja ainda mais difícil – ou mais fácil, dependendo do ponto de vista.

Também estão em exposição mais veículos premium das OEMs que produzem em larga escala e mais veículos das OEMs premium, pois os dois grupos tentam ampliar seu alcance de mercado aumentando ou diminuindo seus portfólios. A segurança real e percebida nas estradas ajudará as OEMs premium a expandir suas ofertas e vendas, na tentativa de roubar consumidores das OEMs que produzem veículos de larga escala, com a promessa de uma imagem de destaque.

Na outra ponta também temos mais ofertas das marcas chinesas, oferecendo novos modelos com melhor qualidade e preços atraentes para atrair consumidores. Mesmo atrasados e desafiados pelo regime automotivo, os chineses continuam a perceber o Brasil como um dos mercados mais atraentes do mundo e não vão desistir de participar. Se a hora deles já chegou, dependerá dos consumidores e da relação preço-qualidade que vão oferecer.

Em suma, uma coisa é certa. As estradas continuarão a ver muitos modelos diferentes no futuro. Acredito que o Salão deste ano nos dá uma boa ideia do que veremos nas estradas nos próximos anos. O tempo em que umas poucas OEMs e modelos dominavam as estradas brasileiras já passou. Hoje, o Brasil é o segundo País com mais marcas produzidas no mundo (depois da China). Nos próximos anos, serão produzidos muito mais que 100 modelos diferentes no Brasil, e mais de 240 modelos serão oferecidos (mesmo sem levar em consideração os veículos de nichos).

Estes fatos são boas notícias para os consumidores, pois vão se beneficiar de mais escolhas e preços atraentes em virtude da concorrência. Vá ao Salão e veja você mesmo.

Stephan Keese - É sócio responsável para o segmento automotivo da Roland Berger Strategy Consultants

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