Há duas décadas, as pequisas conduzidas pelo Great Place to Work® em 49 países mostram que os melhores ambientes de trabalho são a origem de empresas mais produtivas, lucrativas e sustentáveis. O fato é que a vanguarda da gestão empresarial reconhece que um modelo que tem como pilar central o investimento em pessoas é parte importante da estratégia do negócio.

Vivemos hoje o que poderíamos chamar de Era do Significado, na qual alinhar questões éticas com a atuação da empresa e do próprio funcionário não é uma utopia; é real e lucrativo. Nesse contexto, o ato de contratar com foco na cultura – uma das 9 Práticas Culturais analisadas nas pesquisas Melhores Empresas para Trabalhar – mostra-se essencial para a construção de excelentes ambientes corporativos.

Se trouxermos para nossa organização pessoas que tenham apenas as competências e características profissionais necessárias para a função – sem nos preocuparmos com valores, interesses ou características pessoais – podemos criar um problema para a equipe e para o profissional contratado. Sabemos que as empresas estão cada vez mais contratando por atitudes e menos por competências técnicas. A manutenção de uma cultura consistente é fundamental para o trabalho colaborativo, que é de suma importância para o desempenho dos negócios. Não quero dizer que existe um tipo de pessoa, ou de personalidade, mais adequado para as empresas. Quero dizer que para cada empresa existem características comportamentais e de estrutura de valores que definem as pessoas que se adaptarão naturalmente ao ambiente de trabalho – profissionais que serão mais produtivos e que permanecerão por mais tempo nessa empresa.

É nesse terreno que se encontra a Era do Significado. Se de um lado, as empresas buscam o funcionário mais adequado à sua cultura, os profissionais também buscam ambientes corporativos alinhados a seus valores. Sabemos que, em todos os países onde selecionamos as Melhores Empresas para Trabalhar, as publicações nas quais as pesquisas são divulgadas estão quase sempre entre as três mais vendidas no ano. Isso revela que as pessoas querem trabalhar em uma das Melhores Empresas porque sabem que se identificam mais e terão mais possibilidades de viabilizar esse alinhamento; esse significado. Esses profissionais querem saber mais como são as empresas e o que podem encontrar em um ambiente que pode ser parte relevante de suas vidas.

A Era do Significado também diz respeito ao alinhamento ético das organizações. A pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar - Brasil – cuja 16a edição será divulgada em 13 de agosto e contará com um guia especial lançado pela revista Época (Editora Globo) – tem mostrado que esse é um tema presente no cotidiano dos profissionais que atuam nos excelentes ambientes corporativos. Cabe ressaltar, inclusive, que como a ética não tem fronteiras, ou seja, permeia a vida pessoal, profissional e as questões da coletividade, esse funcionário está cada dia mais interessado em saber se há sintonia entre a ética pessoal e a empresa na qual atua. Na prática, as empresas perceberam a demanda crescente em prol da responsabilidade socioambiental e econômica, e passaram a responder positivamente a esse input do funcionário.

Aqui também as mídias sociais desempenham um papel fundamental. No LinkedIn e no Facebook, as pessoas buscam informações sobre as empresas e se comunicam com amigos e pessoas que possam dizer mais sobre as empresas. Mas, ainda é pouco! Já surgiram sites como o norte-americano glassdoor.com que oferecem mais informações sobre a conduta das empresas – não somente oferecem vagas. Diante dessa tendência, estamos trabalhando, no Great Place to Work®, em uma base de dados na qual os profissionais poderão entender melhor a cultura das empresas avaliadas e, com isso, fazer melhores escolhas.

José Tolovi Jr - É Chairman of the Board do Great Place to Work® Inc., com mais de 30 anos de experiência em consultoria empresarial, especializado em estratégia, organização e ambiente de trabalho. Também é doutor e mestre em Sistemas de Informação e Decisão pelo IAE da Universidade de Grenoble (França), pós-graduado em Administração de Empresas (EAESP-FGV) e Engenheiro Metalurgista (Escola Politécnica da USP).

               

Também poderá gostar de...

0 Comentários