O tempo tem sido o grande vilão dos brasileiros. Cada minuto é precioso para realizar todas as atividades laborais dentro de uma empresa. Oito horas parecem ser insuficientes para se dar conta de tudo. Por esse motivo, é cada vez mais comum levar serviço para casa. Na hora em que deveriam estar de folga, estão trabalhando.

Essa realidade é comprovada em diversas pesquisas. Um estudo realizado pela Regus – empresa especializada no fornecimento de espaço de trabalho flexível revelou que no Brasil, 43% dos profissionais trabalham de nove a 11 horas por dia, sendo que, no restante do mundo, a média é de 38%. Além disso, por aqui, 17% trabalham mais de 11 horas, enquanto 33% trabalham de sete a nove horas e 7%, menos do que sete horas diárias.

Já a consultoria Randstad, divulgada mês passado, mais da metade dos profissionais brasileiros admitem que resolvem os assuntos relacionados ao trabalho fora do expediente, em casa ou na rua. Essa realidade é ainda mais agravante na Índia e na China. 69% dos profissionais na Índia disseram fazer do lar a extensão da empresa. Esse número é ainda maior na China, onde 80% dos profissionais admitem esse tipo de comportamento.

Segundo o advogado Marcus Reis, do Escritório Reis Advogados, a legislação trabalhista vigente estabelece que a duração normal do trabalho, salvo os casos especiais, é de oito horas diárias e 44h semanais, no máximo. “O que acontece é que muitas empresas acrescem esse banco com horas suplementares, para efeito de serviço extraordinário, mediante acordo individual, acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença normativa. Esse número de horas não pode exceder a duas horas. Além disso, essas horas a mais precisam ser consideradas como extraordinárias porque vão além da jornada legal ou contratual”, explica Marcus Reis.

Administração do tempo

A consultora de RH e diretora da Inthegra Talentos Humanos, Vianei Altafin afirma que existem muitos profissionais que levam serviço pra casa, porque não sabem administrar o tempo. “As pessoas precisam aprender a planejar a rotina diária e isso significa saber separar o que é prioridade e mais urgente e em seguida ordenar as ações para a realização da maior quantidade de atividades no menor prazo possível”.

Vianei dá algumas dicas para que isso se concretize. “Primeiro verifique o prazo para a entrega de cada atividade. Levar em conta a data de entrega de uma tarefa é o primeiro passo, depois dar prioridade às atividades que trarão maior resultado. Depois disso, verifique e priorize as atividades levando em conta o fator facilidade. A ideia é resolver o que é mais rápido e fácil”, orienta Vianei Altafin.

Vianei também disse que até o feedback dos emails precisam ser administrados por ordem de urgência. “Responder as mensagem por ordem de urgência e importância é o melhor caminho. Responda um pouco pela manhã e o restante no período da tarde na linha de prioridades. As tecnologias ajudam e precisam ser usadas a nosso favor”.

Para Vianei o segredo é aprender a ter disciplina e as empresas podem ajudar os colaboradores nesse sentido já que existem bons cursos sobre administração ou gestão do tempo. “Funcionários mais disciplinados trabalham mais motivados e menos estressados”, conclui a consultora.


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