As exportações do agronegócio paulista somaram US$ 4,15 bilhões no primeiro trimestre, com queda de 2,8% em relação a igual período de 2011, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O saldo comercial do setor atingiu US$1,66 bilhão (recuo de 15,7%), influenciado também pelo aumento de 8,3% nas importações, para US$2,49 bilhões.

As importações paulistas nos demais setores (descontando o agronegócio) somaram US$17,06 bilhões, para exportações de US$8,53 bilhões, o que gerou déficit externo desse agregado de US$8,53 bilhões nos primeiros três meses do ano. Assim, "o comércio exterior paulista seria bem mais deficitário não fosse o desempenho dos agronegócios estaduais", concluem os pesquisadores José Sidnei Gonçalves e José Roberto Vicente.

As cadeias de produção do agronegócio paulista apresentaram saldos comerciais decrescentes, ou seja, US$ 2,04 bilhões (2012) em relação a US$ 2,46 bilhões (2011).

Quando se considera toda a amplitude das transações setoriais, o saldo recua de US$ 1,97 bilhão (2011) para US$1,66 bilhão (2012). Já o déficit na balança comercial de bens de capital e insumos caiu de US$ 490 milhões (2011) para US$ 380 milhões (2012). Os bens de capital e insumos, fundamentais para a modernidade da produção nacional - notadamente os fertilizantes nos quais se tem elevada dependência externa -, "na maioria das vezes não são considerados nas análises do comércio exterior setorial, levando a saldos superestimados", advertem os analistas do IEA.

Os cinco principais agregados de cadeias de produção nas exportações do agronegócio paulista, no primeiro trimestre, foram a cana e sacarídeas (US$1,09 bilhão); frutas (701,37 milhões); bovídeos - bovinos (US$574,16 milhões); produtos florestais (US$534,17 milhões) e bens de capital e insumos (US$300,21 milhões). Esses cinco agregados representam 77,05% das vendas externas setoriais paulistas.

Apresentaram crescimento no período analisado as exportações paulistas de fumo (184,73%), de pescado (76,74%), de bens de capital e insumos (57,13%), de agronegócios especiais (36,98%), de frutas (17,75%), de flores e ornamentais (9,71%), de cereais/leguminosas/oleaginosas (3,80%) e de produtos florestais (+2,27%). Por sua vez, sofreram redução café/estimulantes (29,65%), cana/sacarídeas (17,68%), bovídeos/bovinos (14,35%), suínos e aves (6,22%), olerícolas (2,72%) e têxteis (1,25%).

Cenário nacional

As exportações do agronegócio paulista representaram 20,3% do total brasileiro do setor (US$ 20,40 bilhões), ou seja, menos 2,5% do que em igual período de 2011. Já as importações do Estado representaram 33,7% do total nacional (de US$ 7,38 bilhões), sendo 0,6 ponto percentual inferior à representatividade verificada no mesmo período do ano anterior.

Os saldos comerciais oriundos das transações externas das cadeias de produção aumentaram de US$ 13,69 bilhões (2011) para US$ 14,92 bilhões (2012). Esses valores são maiores que os resultados setoriais - US$ 11,99 bilhões em 2011 e US$ 13,92 bilhões em 2012 - em função do crescimento do déficit da balança comercial de bens de capital e insumos de US$ 1,70 bilhão (2011) para US$ 1,90 bilhão (2012), dizem os especialistas do IEA. Isto é "reflexo da dependência externa dos agronegócios brasileiros - notadamente importações de fertilizantes -, sendo que não considerar essas transações produz estimativas de saldos comerciais setoriais superestimados".

No âmbito nacional, os cinco principais agregados de cadeias de produção nas exportações dos agronegócios foram cereais/leguminosas/oleaginosas (US$ 5,89 bilhões); produtos florestais (US$ 2,34 bilhões); cana e sacarídeas (US$2,34bilhões); suínos e aves (US$ 2,24 bilhões) e bovídeos - bovinos (US$ 2,13 bilhões). Essas cadeias totalizam 73,2% das vendas externas dos agronegócios brasileiros.

As exportações brasileiras de têxteis cresceram 91,42%; de fumo, 48,75%; de cereais/leguminosas/oleaginosas, 29,51%; de bens de capital e insumo, 25,10%; de pescado, 22,72%; de frutas, 19,07%; de agronegócios especiais, 16,14%; de olerícolas, 11,20%; e de suínos e aves, 2,82%. Nos demais grupos, ocorreu diminuição para café e estimulantes (8,70%); cana e sacarídeas (7,39%), flores e ornamentais (6,58%), produtos florestais (4,02%) e bovídeos - bovinos (3,49%).

Valor agregado

Nas exportações do agronegócio paulista, os produtos básicos apresentaram queda de 11,49% (para US$ 910 milhões) no primeiro trimestre, em relação a igual período de 2011. Já os produtos semi-manufaturados recuaram 15,07% (para US$ 810 milhões), enquanto os manufaturados aumentaram 6,55% (para US$ 2,43 bilhões). Os produtos manufaturados apresentaram a maior participação nas vendas externas (58,46%).

No caso do agronegócio brasileiro, com menor perfil de agregação de valor em relação a São Paulo, o maior aumento foi o dos básicos (17,22%), seguidos dos produtos manufaturados (4,40%). Já os semimanufaturados apresentaram queda de 5%. Os produtos básicos, no total de US$ 11,60 bilhões, mostram a maior participação nas vendas externas setoriais (56,88%). (Elaborado pela Assessoria da Apta)

A íntegra da análise está disponível no site: www.iea.sp.gov.br.


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