Com o retorno das aulas em fevereiro, a preocupação dos pais se volta para a compra de materiais escolares. A radialista, Valéria Matos, nunca deixa para fazer as compras na última hora. Com a lista dos materiais exigidos pela escola do filho de quatro anos, ela pesquisou em diversas lojas e conseguiu uma boa economia. “Fiquei o dia todo por conta disso, mas valeu à pena. Comprei tudo por R$ 80, ou seja, economizei R$ 60, uma diferença de 75% em relação ao preço mais alto de R$ 140”, explica.

A atitude da consumidora é exemplar, de acordo com o Procon de Santo André, órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Jurídicos, que acaba de realizar pesquisa de preços de materiais na cidade, a qual aponta variação acima de 400% em alguns itens em seis estabelecimentos comerciais. É o caso, por exemplo, do lápis HB da CIS, encontrado de R$0,20 a R$1,52 a unidade, o que representa diferença de 660%.

A borracha pequena OF 7024 da Faber-Castell custa de R$0,49 a R$2,59 (429%). Já os valores da caixa de giz de cera pequena com 12 cores da Faber-Castell vão de R$ 1,99 a R$9,90 (397,48%). Em relação à caixa de lápis de cor grande com 12 unidades da Colorcis, o menor valor encontrado foi de R$ 2,85 e o mais caro R$7,99 (180%). Confira a pesquisa.

Dicas

O primeiro passo a ser dado pelos pais ou responsáveis é verificar na lista de material escolar encaminhada pelas instituições de ensino se todos os produtos requisitados são adequados à faixa etária dos filhos. A orientação é da diretora do órgão, Ana Paula Satcheki, que fala com conhecimento de causa, pois, além de advogada especializada em Direito do Consumidor, é professora universitária e, no passado, já lecionou para crianças em idade escolar. “Há escolas que pedem materiais não para as crianças, mas para uso próprio. Nesse caso, se houver algo estranho é preciso conversar com a direção do estabelecimento e questionar o motivo daquele pedido.”

Ana Paula ressalta que a qualidade dos produtos deve ser prioridade durante o processo da escolha. “Se o consumidor opta por produtos inferiores e com preços simbólicos, pode levar para casa cola sem aderência, lápis de cor e de cera quebradiços, borracha que não apaga, tintas e similares feitas com produtos tóxicos e com odores horríveis.”

Segundo a diretora, as compras devem ser feitas em lojas especializadas, e não no comércio informal. “Os materiais comprados nas ruas não têm procedência, são ilegais, prejudicam a arrecadação de impostos e não têm garantia. Na maioria das vezes, são perigosos para as crianças, pois além de não possuir certificação, comprometem o uso, já que são produzidos por empresas sem especialização técnica no assunto”, afirma.

Ana Paula também lembra que, nessas horas, é fundamental o papel dos pais na escolha. “Muitas as vezes, a vontade da criança é apenas em reconhecer no material seu personagem favorito, o que não é de todo ruim, pois favorece o estímulo.O que não pode e não deve é o pai pagar um valor exorbitante apenas pela estampa, sem levar em consideração a qualidade do produto. Por isso que o ideal é tentar conciliar esses dois fatores."

Outra recomendação aos pais ou responsáveis é a leitura das instruções das embalagens. “No caso de dúvida, peça orientação aos vendedores da loja. Há também a possibilidade de testar o produto por meio das amostras, que devem ficar à disposição dos consumidores”, enfatiza a diretora.

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